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Estranhos no Paraíso

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Ultimamente tenho lido pouco quadrinhos, na minha adolescência eu era fanático por Homem-Aranha, tinha quase tudo que era lançado pela Abril, percorria as sebos para procurar os lançamentos antigos da Ebal e da RGE, vibrava quando encontrava alguma edição original em inglês. Mas a gente cresce, com o tempo aquelas histórias do Aranha começaram a parecer um pouco bobas. Convenhamos, um cara que pula de prédio em prédio, vestido com uma roupa colante azul e vermelha não é para se levar muito a sério. Sem falar nos inimigos. Imagina se você estivesse em um banco e, de repente, entra um cara gordinho, com quatro braços mecânicos, dizendo aos berros que é o Dr. Polvo. Óbvio que para salvar o dia aparece o cara de roupa colante azul e vermelha para sair na mão com o Dr. Polvo. Eu ia morrer de tanto rir.

Comecei a ficar estafado com aquelas histórias de heróis, foi então que tomei a primeira porrada de uma HQ: li No Coração da Tempestade de Will Eisner. O que era aquilo? Era diferente de tudo o que tinha lido. Não tinha heróis, nada de espetacular, exceto os desenhos e o roteiro. Era simplesmente a história de uma família judia de Nova York que lutava para sobreviver em meados da década de 1940. A narrativa gráfica é impecável. Will Eisner ainda é o maior de todos.

Outro impacto veio com Estranhos no Paraíso de Terry Moore. Um dia, lá pela década de 1990, estava passando pela banca e vi uma HQ com duas garotas na capa, comprei por pura curiosidade. E que bela surpresa eu tive. A história é apaixonante, o núcleo central é a relação entre três personagens, Katchoo, Francine e David. David é um rapaz gentil, companheiro e completamente apaixonado pela Katchoo. Katchoo (a loira) tem pavio curto, é desbocada, na maior parte do tempo mal humorada e completamente apaixonada pela Francine. Já Francine é uma garota insegura, se sente mal amada, tem problemas com o peso, com os homens e não sabe muito bem por quem está apaixonada.

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Foram 90 edições nos EUA que duraram cerca de 14 anos. Na série há conspirações governamentais, sociedades secretas, assassinatos, brigas com ex-namorados, brigas com a balança e por aí vai. Mas tudo como pano de fundo para a relação instável dos três personagens. Há diversas reviravoltas ao longo das 90 edições, a gente torce pelos personagens, ri e chora com eles.

Estranhos no Paraíso foi feito em preto e branco, é uma daquelas pérolas em que se unem um ótimo traço com um ótimo roteiro.

Ganhou diversos prêmios, incluindo o Eisner (o cara é tão foda que existe uma premiação com seu nome) e um prêmio de Best Comic Book pela GLAAD Media Awards (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation). Esse é um ponto importantíssimo, nunca em uma HQ o homossexualismo foi tratado com tanto respeito, fugindo de todos os estereótipos presentes na maioria das mídias de massa.

Pena que no Brasil os lançamentos são esporádicos, já passou por diversas editoras, agora está a cargo da HQM editora, o jeito é recorrer às Comic Shops especializadas ou procurar as versões originais em inglês pela internet.

Vejam o site: http://www.strangersinparadise.com

E algumas caps.

Strangers in Paradise 85 - 05

Fran e Katchoo

postado por Rubão em HQ comentários (5)
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5 Comentários no post “Estranhos no Paraíso”

  1. Gláucio disse:

    Cara, iniciativa fantástica! Parabéns! Alias…vocês tem algumas edições aí? Abraço!

  2. D.E.K disse:

    Estranhos no Paraíso é fantástico, o Rubão mesmo que me apresentou. A Katchoo e a Francine são personagens apaixonantes e em algum momento você acaba se emocionando com a história.

  3. Mirian disse:

    Estava acompanhando a HQ do Estranhos no Paraíso, comprando os volumes em uma loja de magazine no bairro onde moro e não pude mais seguir pq não estavam fornecendo mais para a editora no Brasil. Ficou só o início da saga…fiquei frustrada no “meio da praia”.

  4. Rubão disse:

    É, os lançamentos no Brasil foram horrorosos, sei que uma das editoras que trabalhou com o título não tinha nem os direitos para lançar por aqui.

    Hum, se vc tiver paciência para ler na tela do computador, dê uma vasculhada no google que há todas as edições em inglês para download.

  5. Yopixel disse:

    Se o cara gordinho entrasse dizendo “Eu sou o Dr. Polvo!!!” eu iria rir pra caralho. Mas se ele entrasse dizendo “Eu sou o Dr. Octopus!!!”… Aí eu dizia: “Pô esse cara é foda.”

    Depende do ponto de vista man. Eu acho a roupa do Spider bem legal. E ele ficar usando uma teia de aranha pra ir de um Epire State pro outro também é simplesmente foda.

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