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Nicotina

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Vocês conhecem a história de Cristovão Colombo, né? Aquele espanhol maluco que resolveu cruzar o oceano. Porque, convenhamos, alguém entrar numa caravela de madeira, sem banheiro, sem geladeira, comendo comida estragada, com um monte de homem que não tomava banho, navegando pelo oceano por um tempo indefinido para algum lugar que não se sabia muito bem aonde, só podia ser maluco.  Pois é, ele foi o cara que introduziu o tabaco na Europa, parece que Cristovão encontrou um continentinho também, mas isso é o de menos. O tabaco, esse prazer maldito que os índios inventaram, que me aflige e acalma cotidianamente (um dia eu paro, promessa para São Longuinho, sei que um dia vou ter que dar três pulinhos para encontrar a minha saúde).

Pelo menos há algumas coisas boas do cigarro, se não fosse por ele Jim Jarmusch não teria feito Sobre café e cigarros e o mexicano Hugo Rodriguez não teria filmado Nicotina (2003). O filme é uma comédia de humor negro, começa com alguns golpistas que roubam informações bancárias sigilosas e pretendem trocar por diamantes com alguns criminosos russos. Mas, para variar, as coisas não saem como o esperado. Quando os golpistas vão trocar o cd das informações bancárias pelos diamantes, descobrem que pegaram o cd errado, levaram o que continha imagens que um dos golpistas – hacker e voyeur – fez da vizinha. E, sem querer, um dos russos é morto. Tem início uma série de situações desencontradas. Uma montanha de erros de julgamento dos personagens vai se sucedendo ao longo de Nicotina.

Há outros personagens que interagem com a situação, um casal dono de uma farmácia, outro casal, acima de qualquer suspeita, proprietário de uma barbearia. Este último protagoniza uma das cenas mais engraçadas, quando a mulher resolve abrir a barriga de um morto, achando que os diamantes estavam em seu estômago. Para variar, estava errada.

Um ponto interessante é que o filme se desenvolve em tempo real, o minuto dentro do filme tem 60 segundos como tem no mundo fora do filme, lembrem do seriado 24h.  Antes que possam pensar que Hugo Rodriguez chupinhou o conceito do seriado, Hitchcock já havia utilizado a mesma artimanha em 1948, com Festim Diabólico (sem falar que Hitchcock tentou filmar em um único plano sequência). Penso até que poderia ser uma homenagem ao mestre, pela utilização do tempo real e pelo voyeur (referência a Janela Indiscreta).

Dá para perceber que Nicotina não é um filme sobre o cigarro, mas este é utilizado como um elemento importante no mise-en-scène, para iniciar ou dar continuidade em um diálogo ou como ponto de inflexão, de mudança repentina. E, por fim, a máxima de que o “cigarro mata” é levada ao extremo da ironia.

Um belo exemplar de cinema feito na América Latina.

PS: Quando assistirem ao filme, pensem em Guy Ritchie.

postado por Rubão em filmes comentários (4)

4 Comentários no post “Nicotina”

  1. Glaucio disse:

    Como sempre, o rubão com uns filmes que da muita vontade de assistir só de ler…

  2. Melissa disse:

    Rubão você está se superando.
    Guy Ritchie+Amores Perros = Nicotina, la vida unfiltered.
    Agora, páre de falar de cigarro que dá uma coceira louca! :P :D

  3. Rubão disse:

    Pois é, acho que tem algo de amores perros pela infinidade de personagens, mas Nicotina não é tão pessimista.

  4. Claydson disse:

    Aeee Rubão, pelo roteiro parece Snatch mesmo….. Esse quero ver….

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